31 de março de 2009

Afinal, as bolas caem do céu!

Em Bissau vão "literalmente" cair bolas do céu.
Imaginem bolas de futebol a cair dos céus da cidade de Bissau...
O Joel, principal responsável por toda esta iniciativa solidária, também tem a capacidade de voar bem alto...
E como bom piloto de paramator que é, não podia deixar de associar o seu desporto favorito a uma causa desta natureza.
Dezenas de bolas de futebol, oferta da marca Beppi, vão ser atiradas durante um voo de parapente a motor, fazendo as delícias de muitas crianças. (E adultos também...)
É sabido que por esse mundo fora, seja qual for o país, a cidade, a etnia, a condição social, ou mesmo a cor clubística, todas as crianças vibram com o futebol.
Uma bola no pé ou na mão é sinónimo de um imenso sorriso.
Uma partida de futebol é logo motivo para grande correria, intensa gargalhada, e extrema felicidade!

Eu vou lá estar para fotografar!

27 de março de 2009

Para mais tarde partilhar...


Para mais tarde partilhar, reviver, recordar...
Esta é uma das vantagens da minha mais recente "paixão": a fotografia.
Ainda sou completamente amadora, tenho um longo caminho pela frente e muito que aprender.
Mas é com esta máquina que vou tentar gravar todos os momentos inesquecíveis, as coisas inexplicáveis, as pessoas incomparáveis, e os lugares especiais.

24 de março de 2009

E por falar em livros...


Tenho saboreado cada momento deste projecto, cada pessoa que conheci e que de alguma forma se envolveu nele, cada donativo que foi feito, cada porta que se fechou, as muitas portas que se abriram, os sorrisos de quem teve o prazer de conseguir juntar algumas caixas de livros, todos os silêncios de quem não se deixou tocar por esta causa, todas as vozes que quiseram gritar em alto e bom som que é urgente ajudar estas crianças...


Junto agora as peças do puzzle e percebo que cada uma delas serviu-me de inspiração para que a minha vontade de abraçar este "Coração na Guiné" fosse cada vez maior.


Duas dessas peças são dois autores e os seus respectivos livros. A minha querida Tia-avó Maria Rita Valente Perfeito, que generosamente dedicou parte da sua vida aos leprosos da Namaíta em Moçambique e o escritor angolano José Eduardo Agualusa, que por diversas vezes me levou até África através dos seus "deliciosos" romances.


Duas peças que completam este puzzle: "A Aldeia da Esperança" e "As Mulheres do Meu Pai".

Ter um livro para ler


Acredito que, tal como rir, "ler é o melhor remédio"

Nos primeiros anos de vida de uma criança o livro deve fazer parte do seu mundo, como mais um brinquedo ou um jogo. Saber ler é fundamental.

A leitura ajuda a criança a construir a sua identidade, a sua relação com o Mundo e a tornar-se num ser participativo e mais tolerante.

Mediante o apelo ao imaginário a leitura permite à criança a transposição de universos, a vivência de outros modos de ser, a resolução de conflitos interiores e de uma série de problemas de ordem social.

É importante que o "amor" à leitura seja promovido pois este pode ser um factor decisivo no seu crescimento, na forma como vai ver o Mundo à sua volta e para o seu equilíbrio afectivo.

Acredito que o papel das bibliotecas escolares é fundamental na promoção e na criação de hábitos de leitura.

Com a ajuda da Porto Editora, vamos poder levar para a Casa Emanuel mais de 400 livros e jogos didácticos e com eles criar uma mini biblioteca para as crianças que vivem no orfanato e também para todas as que frequentam a escola comunitária.

Que prazer ter um livro para ler!

A Unesco proclamou a década de 2003/2012 como a Década Internacional da Literacia.

http://portal.unesco.org/education/en/ev.php-URL_ID=5000&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html

22 de março de 2009

A árvore dos valores

Esta é a nova "árvore dos valores", que foi pintada pelo Dú, um artista local, para alegrar os jardins da Casa Emanuel.

No pequeno "óasis" que é esta casa, nos arredores de Bissau, não se esquecem valores como a liberdade, a paz, o trabalho, a compaixão, a coragem, o amor e a criatividade.
Bem hajam!

A bordo do "Christina I"




O primeiro dos 2 contentores de 27 toneladas que vamos enviar para o orfanato Casa Emanuel na Guiné-Bissau, já zarpou do porto de Leixões a caminho da embaixada em Bissau.
Foram muitos os donativos com que o "recheamos", desde livros da Porto Editora, conservas da Ferbar, açucar da RAR, tinteiros e impressora da Epson e da HP, arroz da Orivárzea, roupa da Melijó, sandálias da Beppi, farinhas da Germen, medicamentos da Prisfar, bolas de futebol, brinquedos, roupas, material médico, material escolar, etc, etc.
Obrigada Sofia, Susana, Mónica, Cristina, Inês, Marco, João, Pi, Joana, Mãe, Pai, Avó Geninha, Avó Fani, T.Nini, T.Pedro, T.Paula, Bé, T.João, T.Clara, T.Xico!

Um "mimo" da Catarina


"Pequenos nadas"


Para além de sorrisos tenho coleccionado também alguns amigos.
A verdade é que desde que me envolvi neste projecto, foram muitas as pessoas com quem me cruzei, todas elas especiais e com uma enorme vontade de ajudar e de contribuir para o sorriso das crianças da Guiné-Bissau.

Nenhuma delas ficou indiferente à realidade com que se deparou e todas elas "arregaçaram as mangas" para fazer a diferença.
São "pequenos nadas" que, depois de somados, muito dão!

21 de março de 2009

O TEU RISO



Tira-me o pão,
se quiseres, tira-me o ar,
mas não me tires o teu riso.

Não me tires a rosa,
a lança que desfolhas,
a água que de súbito
brota da tua alegria,
a repentina onda de prata
que em ti nasce.

A minha luta é dura e regresso
com os olhos cansados
às vezes por ver que a terra não muda,
mas ao entrar teu riso
sobe ao céu a procurar-me
e abre-me todas as portas da vida.

Meu amor, nos momentos
mais escuros solta
o teu riso e se de súbito
vires que o meu sangue mancha
as pedras da rua,
ri, porque o teu riso
será para as minhas mãos
como uma espada fresca.

À beira do mar, no outono,
teu riso deve erguer
sua cascata de espuma,
e na primavera, amor,
quero teu riso como
a flor que esperava,
a flor azul, a rosa
da minha pátria sonora.

Ri-te da noite, do dia, da lua,
ri-te das ruas tortas da ilha,
ri-te deste grosseiro rapaz que te ama,
mas quando abro os olhos e os fecho,
quando meus passos vão,
quando voltam meus passos,
nega-me o pão, o ar, a luz, a primavera,
mas nunca o teu riso,
porque então morreria.


Pablo Neruda