Começaram as primeiras chuvas tropicais e com elas mais alguns animais vieram juntar-se a nós neste pequeno jardim africano. Para além dos cajueiros e das mangueiras também habitam neste oásis diversas espécies trazidas da Costa Rica e que aqui encontraram todas as condições necessárias à sua sobrevivência. Nesta época do ano os cajus começam a cair de maduros e as crianças passam o dia a comê-los. Dizem que são muito docinhos... mas eu prefiro a castanha. Estas árvores são também o habitat de diversas espécies de lagartos de vários tamanhos, cores e feitios. Os mais comuns são os azuis de cabeça amarela. (desculpem a minha ignorância mas ainda não descobri qual o seu nome científico) Quem também resolveu dar o ar da sua graça nestes dias mais húmidos foram os sapos que passam agora as noites a darem-nos música. Já para não falar nas cobras que resolvem aparecer quando menos esperamos...
Sorrisos sem cor, sem idade, sem futuro, sem nada. Simplesmente sorrisos, os sorrisos das crianças da Guiné-Bissau. Este é o diário de uma voluntária em busca de alguns deles.
16 de junho de 2009
8 de junho de 2009
A riqueza da diferença!
É verdade que estamos juntos pela mesma causa e que partilhamos interesses comuns mas também é verdade que aqui na Casa Emanuel pertencemos todos a realidades bastantes distintas.
Todos os dias aqui no orfanato falamos diversas línguas. Desde o português de Portugal (eu e Ana), o português do Brasil (Rose, Bene, Geanne, Henrique e Carlos), o espanhol da Costa Rica (Isabel e Eugénia), ao inglês dos E.U.A. (Maritza) e de Inglaterra (Roy). Não esquecendo o crioulo, que é a língua mais falada pela maioria das crianças e dos trabalhadores e professores da Casa Emanuel e de todos os idiomas falados pelos voluntários e missionários que por aqui vão passando.
Sem dúvida uma diversidade cultural e linguística que nos enriquece a todos. São muitas as refeições em que "discutimos" quais os costumes dos nossos países, os pratos típicos das regiões de onde somos naturais, as suas atracções turísticas e todas as coisas menos positivas que gostaríamos de mudar.
É muito bom sentir como todos, sem excepção, nos adaptamos às diferenças culturais uns dos outros e tiramos delas o melhor partido. Tanta diversidade linguística origina também situações caricatas, como as conversas em que sai um português misturado com inglês e crioulo e que resulta em algo muito pouco decifrável!
5 de junho de 2009
Dia Mundial da Criança em festa





























Entre jogos, música, dança, comida tradicional africana e as actividades desportivas no ginásio, muita coisa aconteceu e pôde-se sentir uma espécie de Natal fora de época.
Desde ontem que começaram os preparativos para fazer o Caldo de Chabéu, um prato africano que é feito a partir de pequenas sementes vermelhas, os frutos da palmeira, que mesmo antes de serem cozinhadas fazem as delícias de todos. (Isto para além de tingirem tudo de amarelo e laranja o que também é uma diversão.)
Foi bom ver os sorrisos das crianças da escola e do orfanato, que no final da festa receberam um saco de brinquedos.
Para a maioria destas crianças este será o único dia de festa que terão ao longo do ano. Algumas delas nunca tiveram um único brinquedo...
E no meio de toda esta agitação recebemos uma visita muito especial aqui no orfanato.
A Catarina Furtado veio passar a tarde connosco e encantou toda a gente.
Mais um dia que vai ficar bem guardado nas nossas memórias!