14 de abril de 2012

Felipe e o homem aranha



Ontem à noite tive a felicidade de falar com o Felipe, um dos rapazes da Casa Emanuel, filho adoptivo da Mami, uma das suas directoras.
Tão bom perceber como a ingenuidade das crianças leva-as a não perceber as barbaridades que se passam mesmo ali ao lado, fora dos portões do orfanato.
O Felipe tem um irmão gémeo, tal como eu, e falávamos muitas vezes sobre esta coincidência.
Quando estive na Guiné o Felipe era ainda um menino, tão doce e tão meigo que eu fazia questão de lhe dar umas aulas especiais só para ele poder desenhar.
Ora estava na sala de aulas ora do lado de fora, à janela, a espreitar para dentro, com a curiosidade de quem tem ainda muito para aprender.
E sempre a sorrir...
Eu adorava estar com ele e ouvir as suas histórias e sonhos.
O desenho era uma das suas grandes paixões, a outra era o homem aranha.
E 3 anos depois o Felipe já não é um menino mas continua meigo, a adorar desenhar e fã incondicional do mesmo personagem de banda desenhada.
Ontem confessou-me que tem uma surpresa para mim e que a vai guardar até eu a ir buscar.
Encheu-me o coração e mesmo à distância mimou-me, como sempre fazia.
So sweet!

13 de abril de 2012

Hoje tenho o coração apertado






Hoje tenho o coração tão apertado que o que mais desejava era poder estar lá ao pé deles, poder abraçá-los, reconfortá-los e dizer-lhes que tudo vai correr bem e que os seus futuros vão encher-se de esperança.
Que o país onde nasceram vai finalmente ter Paz e tranquilidade e que os "homens" vão deixar-se de egoísmos, de guerras, de tribalismos e de lutas pelo poder.
Mas não é assim que funciona.
Custa-me assistir de longe à falta de amor pelo próximo e a tanta ganância.
Quando cheguei à Guiné tinham assassinado o Presidente da República e o Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas exactamente pelos mesmos motivos.
Assisti ao clima de insegurança e de medo de novas eleições, à eleição do novo Presidente (que acabou por morrer e não cumprir o mandato), falava com as crianças sobre a Paz e fazíamos trabalhos na escola sempre focados num futuro melhor.
Mas hoje a história repete-se e os discursos pacifistas dos novos candidatos vão por "água abaixo".
Tentativas de assassinato, golpes de Estado, tiroteios nas ruas, violência e nada de Paz.
Deus queira que tudo volte à normalidade e que a Guiné possa ver eleito um novo Presidente com mais valores e outra mentalidade.
Tudo em nome das crianças que são o futuro do país e que possam crescer com valores e ideais de Paz e Amor e deixar de ter os de conflito como exemplo.

11 de abril de 2012

Um Presidente e Paz para a Guiné


A Guiné-Bissau está mais uma vez a eleger o seu Presidente.
Desde 2009, altura em que lá cheguei e dias depois do então Presidente ter sido assassinado, percebi que o país vive em permanente turbulência e conflito entre governo, militares, etnias e religião.
É uma pena que o povo desta pequena democracia tenha mais uma vez que pagar por todos estes erros e que eles ponham constantemente em risco a sua paz, estabilidade e segurança.
Nesta nova campanha eleitoral a Paz é pela primeira vez um tema dominante de todos os candidatos.
É uma grande evolução.
A Guiné-Bissau tem sido rotulada como um país de guerra, que fez 11 anos de guerra da libertação, depois 11 meses de guerra civil, e que teve vários episódios violentos.
Os novos candidatos dizem-se pacifistas e querer romper com a onda de violência.
A Guiné-Bissau precisa disso.
De um novo Presidente e de viver num clima de Paz e esperança num futuro melhor.

5 de abril de 2012

3 anos depois


Este mês de Abril faz 3 anos que num impulso fiz as malas e "voei" até à Guiné-Bissau.
Confesso que não sabia o que esperar e que para além da enorme curiosidade tive também algum medo do que poderia lá encontrar.
Quando se "embarca" numa viagem destas apenas sabemos que os nosso problemas e receios têm que ficar para trás pois só assim podemos nos entregar de corpo e alma ao trabalho voluntário e a ajudar quem mais precisa.
No meu caso sabia que ia trabalhar com crianças órfãs e isso já me enchia as medidas.
Mas sabia também que muitas delas estavam doentes e tinham HIV.
Decidi que ia dar o meu melhor e que se fizesse tudo com o coração só poderia correr bem.
Cheguei a Bissau às 2h da manhã, uma cidade sem luz eléctrica, literalmente às escuras.
Mal saí do avião senti a humidade no ar e o cheiro a terra molhada e imediatamente tive consciência que estava em África e que o seu calor me abraçava.
Era lá que iria passar os próximos meses.
E foi lá que a minha maneira de ver a vida se alterou e que aprendi as melhores lições.
É verdade que a realidade da Guiné-Bissau como sendo um dos países mais pobres do mundo é muito dura mas foi também na Guiné que pude testemunhar o que é amar sem esperar nada em troca, o que é sorrir perante as adversidades e manter a esperança apesar de muita crueldade e injustiça.
Aprendi a cantar e agradecer, aprendi a dançar à chuva e vê-la como uma benção, aprendi a sorrir mesmo quando só tinha motivos para chorar, a abraçar quem nunca tinha visto e a dar o melhor de mim todos os dias.
Claro que também vi muitas coisas que não me agradaram e presenciei momentos que quase me fizeram desistir da minha "missão" mas foram as crianças que me deram a mão e que me puxaram, sem saberem, para eu ficar.
Penso que quem vive uma experiência como estas nunca mais vê o sol nascer da mesma forma e as palavras não chegam para contar tudo o que se sente.
É gigante o que recebemos e tão pequenino o que deixamos.
Desperta em nós uma maior consciência social, um lado mais humano e muita vontade de dar, aqui, lá ou em qualquer outro lugar.
Este ano se Deus quiser volto à Guiné e cumpro o que prometi.
Voltar.

1 de abril de 2012

É urgente


Descobri hoje este poema.
Adoro e é de Eugénio de Andrade.
É lindo na sua simplicidade.
Nele está escrito e implícito quase tudo aquilo em que acredito.
Tem tudo a ver com as mensagens que ao longo dos meses tenho partilhado neste espaço.
Tem tudo a ver comigo.


É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.


É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

31 de março de 2012

Mais um contentor carregado








Cadeiras recicladas pelos voluntários







Com a ajuda dos voluntários da nossa Associação Coração Sem Fronteiras e em parceria com a ONG Step For Care, hoje carregamos um contentor inteirinho de 40 pés para Moçambique.
O destino deste contentor é o Hospital Central de Maputo.
As toneladas de material que lá vão dentro são para equipar a nova Ludoteca que vai ser criada na ala pediátrica de oncologia do mesmo hospital.
A partir de agora as muitas crianças que lá estão internadas terão um lugar onde brincar, ler e esqueçer, na medida do possível, a difícil doença que enfrentam.
Este é um projecto muito especial e que me toca no coração.
Acredito que com esta força, dedicação e energia que senti hoje junto de todos os voluntários, muitos outros virão!

30 de março de 2012

Parabéns!


Este mês fazem anos dois dos homens mais importantes da minha vida!
Nunca é demais partilhar o amor que sinto pelos dois.
Parabéns Pai e maninho*

29 de março de 2012

Obrigada!


Obrigada a todos os padrinhos e madrinhas que mesmo à distância têm feito dezenas de crianças sorrir e sentir que alguém as ama e se preocupa com elas.
Obrigada Isa, Helena, Sara, Catarina, Rosa, Daniela, Ana, Beatriz, Francisco, Susana, Ilda, Andreia, Jorge, Arminda, Isabel, Rita, Rui, Dóris, Filipa, Marisa, João, Pedro, Maria, Eva, Sérgio, Joana, Sofia, Marco, Carla, Cristiana, Patrícia, Estefânia, Graça e todos os outros que virão a "abraçar" esta causa.
Obrigada por acreditarem neste projecto.
Podem crer que fazem toda a diferença na vida delas.

28 de março de 2012

Freedom, she replies

Confident Children out of Conflict







 In South Sudan, the number of vulnerable children is increasing quickly.
Cathy Groenendijk, together with concerned Sudanese, established Confident Children out of Conflict to empower these children for hopeful futures.
They need your help!
To create a safe, just, and enabling environment where orphans and vulnerable CHILDREN can come out of the CONFLICT within themselves and around them, so that they can grow to have a meaningful future, with CONFIDENCE in their own abilities and resources, contributing to the development of the New Sudan.

There are 25 girls from 6-12 years of age that urgently need to be protected from child molesters and sex abusers.

They need a home URGENTLY.

CCC needs your help in order to help these girls.

Please contact the director cathy.groenendijk@gmail.com to help.