Este mês de Abril faz 3 anos que num impulso fiz as malas e "voei" até à Guiné-Bissau. Confesso que não sabia o que esperar e que para além da enorme curiosidade tive também algum medo do que poderia lá encontrar.
Quando se "embarca" numa viagem destas apenas sabemos que os nosso problemas e receios têm que ficar para trás pois só assim podemos nos entregar de corpo e alma ao trabalho voluntário e a ajudar quem mais precisa.
No meu caso sabia que ia trabalhar com crianças órfãs e isso já me enchia as medidas.
Mas sabia também que muitas delas estavam doentes e tinham HIV.
Decidi que ia dar o meu melhor e que se fizesse tudo com o coração só poderia correr bem.
Cheguei a Bissau às 2h da manhã, uma cidade sem luz eléctrica, literalmente às escuras.
Mal saí do avião senti a humidade no ar e o cheiro a terra molhada e imediatamente tive consciência que estava em África e que o seu calor me abraçava.
Era lá que iria passar os próximos meses.
E foi lá que a minha maneira de ver a vida se alterou e que aprendi as melhores lições.
É verdade que a realidade da Guiné-Bissau como sendo um dos países mais pobres do mundo é muito dura mas foi também na Guiné que pude testemunhar o que é amar sem esperar nada em troca, o que é sorrir perante as adversidades e manter a esperança apesar de muita crueldade e injustiça.
Aprendi a cantar e agradecer, aprendi a dançar à chuva e vê-la como uma benção, aprendi a sorrir mesmo quando só tinha motivos para chorar, a abraçar quem nunca tinha visto e a dar o melhor de mim todos os dias.
Claro que também vi muitas coisas que não me agradaram e presenciei momentos que quase me fizeram desistir da minha "missão" mas foram as crianças que me deram a mão e que me puxaram, sem saberem, para eu ficar.
Penso que quem vive uma experiência como estas nunca mais vê o sol nascer da mesma forma e as palavras não chegam para contar tudo o que se sente.
É gigante o que recebemos e tão pequenino o que deixamos.
Desperta em nós uma maior consciência social, um lado mais humano e muita vontade de dar, aqui, lá ou em qualquer outro lugar.
Este ano se Deus quiser volto à Guiné e cumpro o que prometi.
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