1 de julho de 2012

Da intenção à acção


Têm sido várias as pessoas que me contactam com o propósito de apadrinharem uma das crianças órfãs da Guiné, o que me deixa com o coração cheio.
No entanto, e em conversa com a Laureen, uma das voluntárias da Costa Rica que está neste momento a viver no orfanato Casa Emanuel em Bissau e que tem feito um excelente trabalho no terreno e me ajudado muito nesta minha missão, chegamos à conclusão que muitas das pessoas depois do primeiro contacto não chegam efectivamente a concretizar o apadrinhamento.
Tenho sentido que por vezes têm receio que os donativos não cheguem aos destinatários e quando chegam não sabem se realmente são bem utilizados e canalizados para quem mais precisa.
Por isso a mensagem que deixo aqui hoje é de garantia de que o nosso trabalho é completamente transparente e que todas as ajudas são muito mas mesmo muito bem aproveitadas.
O trabalho que os missionários e voluntários fazem todos os dias no orfanato é fantástico e todos eles, assim como nós (ONG Coração Sem Fronteiras) estamos nesta causa de alma e coração.
Por isso, apadrinhem e mudem uma vida!!
Escrevam para apadrinhamentos@coracaosemfronteiras.org

3 de junho de 2012

Apadrinha com o CORAÇÃO



Agora podes ajudar a melhorar as condições de vida das crianças da Guiné-Bissau, apadrinhando em duas modalidades:

Com 20€ (mensais) o apadrinhamento à distância de uma das crianças órfãs da Associação Casa Emanuel;

ou

Com 40€ (por parto) o apadrinhamento do nascimento de uma criança na maternidade do Hospital Comunitário Emanuel.

Ajuda-nos a fazer bater este coração!!



26 de maio de 2012

Padrinhos Sem Fronteiras


No seguimento do apadrinhamento à distância no qual temos vindo a trabalhar desde 2009 nasceu hoje um  novo projecto, os Padrinhos Sem Fronteiras.

É tão bom poder trabalhar para mudar a vida de algumas crianças e mães guineenses.

Esta iniciativa destina-se a melhorar a qualidade de vida da população da Guiné-Bissau através do apadrinhamento de um parto ou de uma criança.

Com a Guiné-Bissau a registar uma taxa de mortalidade infantil de 16% em crianças com menos de 5 anos, 1 em cada 18 mães a morrer durante a gravidez ou durante o parto e 44% de partos realizados com baixos níveis de assistência, é essencial agir para contrariar estes números e esta preocupante realidade.

Ao juntar-se à iniciativa “Padrinhos Sem Fronteiras” pode apadrinhar um parto, garantindo que uma mãe e o seu bebé tenham todos os cuidados e meios indispensáveis para um parto seguro. Pode ajudar a diminuir a mortalidade das mães e a mortalidade infantil contribuíndo com um donativo de apenas 40€.

Para ajudar a melhorar a qualidade de vida e desenvolvimento de algumas crianças órfãs guineenses, pode apadrinhar uma criança contribuindo com um donativo mensal de 20€.

Este apoio mensal permite a assistência alimentar, educativa e sanitária, imprescindíveis para o crescimento saudável de uma criança.

Os padrinhos sem fronteiras por sua vez recebem regularmente informação sobre o parto (data e hora do parto, peso do bebé e uma fotografia da mãe e do bebé) ou informação sobre a evolução escolar e o desenvolvimento da criança (acompanhada por fotografias).

Adoro e acredito tanto neste projecto que para mim é um privilégio poder trabalhar nele.

Para apadrinhar envie um mail para: apadrinhamentos@coracaosemfronteiras.org


12 de maio de 2012

Sinal de Deus

Alunos da Escola Comunitária da Casa Emanuel

Uma criança na Guiné-Bissau não tem o mesmo valor de um adulto. Tem menos. Ocupando uma posição socialmente menos válida, dá-se menos atenção às suas necessidades e direitos. Mas, ainda há algo pior do que ser criança: ser criança órfã.

Os direitos das crianças são uma batalha relativamente recente, mesmo no mundo dito desenvolvido. Portanto, não é difícil concluir que a discussão das necessidades e fragilidades dos mais pequenos ainda não chegou à Guiné-Bissau. Aliás, basta um primeiro olhar para perceber que a criança não tem grandes defesas.

A hierarquia social e cultural coloca os mais velhos no topo da pirâmide e os mais novos em último lugar, o que se revela em actos tão básicos como comer. Às refeições, os anciãos comem primeiro do que as crianças, os homens primeiro do que as mulheres. As crianças e as mulheres comem os restos, se os houver.

A Associação Orfanato Casa Emanuel é a única organização presente na Guiné-Bissau que acolhe miúdos com problemas. Como o Gabriel, que ficou com os bracinhos pelo meio e as pernas muito frágeis porque "a mãe estava a tomar algum remédio durante a gravidez e, depois, quando ele nasceu, tentou matá-lo por asfixia", conta Eugenia Guardia, uma das missionárias do orfanato.


Gabriel

Na Guiné-Bissau, é frequente atribuir-se a deficiência ao castigo de um irã (divindade do animismo). Muitas vezes, a família questiona mesmo se o recém-nascido será um ser humano e, para tirar a prova dos nove, submete a criança a provas de força, como permanecer ao relento no meio do mato, para que o irã decida o que fazer com ela.

A partir do centro de Bissau ainda têm que ser percorridos cerca de oito quilómetros até chegar ao bairro onde se instalaram os missionários evangelistas da Costa Rica e do Brasil que fundaram a Associação Orfanato Casa Emanuel em 1995.

É em Hafia, no meio de uma frondosa vegetação, que surge o grande portão vermelho que proporciona às crianças abandonadas a entrada num mundo com um pouco mais de dignidade e de amor.

Esta é já a terceira casa do orfanato, as duas anteriores eram demasiado pequenas e foram assaltadas. Desta vez, a mudança fez-se para um terreno próprio, com 16 mil metros quadrados e que conta já com uma escola e um mini hospital.

Vista aérea da Associação Orfanato Casa Emanuel


O "sinal de Deus"

Há dezassete anos, uma equipa de quatro missionários chegava a Bissau para ajudar os guineenses de alguma maneira. Começaram com um dispensário médico, até porque tinham formação em saúde. Nem passou um ano e aperceberam-se de que as crianças eram a população mais afectada, mais abandonada e mais em risco de vida. Decidiram recebê-las.

A primeira a encontrar um lar na Casa Emanuel foi Mariama, que tinha sete meses e pesava apenas dois quilos. Era filha de uma mãe cega, que não conseguia tratar dela. Quando a directora da associação a encontrou em Gabú (Leste do país), a menina tinha sarna e mordeduras de rato, já lhe faltava um pedaço de orelha e estava subnutrida.

"Sentimos um sinal de Deus para ficarmos com a criança", explica Eugenia Guardia, acrescentando que foi apenas o início de um "ministério". Mariama, hoje com dezassete anos, é uma veterana. “Começaram a chegar mais crianças e tivemos que abrir a porta, apesar de não estarmos preparados”, reconhece.

Eu e a Catarina com a Mariama

Eu e a Mariama

Os meninos que se encontram na Casa Emanuel são, na maioria dos casos, órfãos de mãe. Perante a morte da mãe, o pai "ou deixa morrer a criança ou procura quem fique com ela". A instituição, que já estabeleceu uma parceria com a Procuradoria de Menores para receber órfãos, tem direito legal sobre as crianças que recebe e já conseguiu negociar com o Estado guineense uma crucial isenção de impostos.

Sendo todos cristãos e partilhando uma mesma doutrina, os missionários que vivem na Casa Emanuel não pertencem à mesma igreja, fazendo da organização um espaço "interconfessional". Os "irmãos" que vivem noutros países "mandam dinheiro" para ajudar o orfanato. As despesas da associação rondam 5000€ por mês, os donativos asseguram cerca de metade. "O resto vem miraculosamente", brinca Eugenia Guardia.

Na Casa Emanuel, o futuro constrói-se "a pouco e pouco" e, desde o conflito político-militar de 1998-99, com mais dificuldades mas sempre com amor e esperança.

4 de maio de 2012

*Cumba*



















 
Este post é para ti Cumba!
Porque ontem falei contigo e fiquei com uma saudade imensa.
Porque o tempo passou e percebi que continuas uma menina linda, doce e meiga.
Porque tornaste os meus dias na Guiné muito mais coloridos por estares sempre por perto e com esse sorriso delicioso.
Porque marcaste a minha vida e quero que o saibas.
E porque uma das razões que me vai fazer voltar aí é o poder abraçar-te.
Até breve princesa!

1 de maio de 2012

Love Guincho






Adoro o Guincho.
Adoro sentir a areia molhada nos meus pés e o vento.
O vento do Guincho é diferente.
A praia parece querer sempre falar, dizer alguma coisa.
Tenho esta praia como um dos sítios onde gosto de ir e de estar.
Simplesmente estar, sem ser preciso grandes aventuras, planos ou coisas para fazer.
O Guincho é inspirador.

Gorongosa, um tesouro em Moçambique







Hoje apaixonei-me por este projecto que é simplesmente maravilhoso.

O Parque Nacional de Gorongosa é um verdadeiro tesouro em Moçambique que proporciona também diversos benefícios ambientais, educacionais, estéticos, recreativos e económicos a toda a humanidade.  

Para além da reabilitação do Parque, que representa uma das grandes oportunidades de conservação no mundo de hoje os responsáveis por este projecto estão também a trabalhar para melhorar a vida das populações nas terras que o circundam, criando emprego no Parque, fundando escolas e postos de saúde e formando agricultores locais em agricultura sustentável.

Africa's Lost Eden é um documentário realizado pela National Geographic e está enquadrado numa acção que visa captar visitantes para o parque, de forma a tornar o projecto sustentável e ajudar as populações que vivem na região.

"Precisamos de 75 mil turistas por ano para custear programas e gestão do parque e criar postos de trabalho para as pessoas que vivem na região", diz Greg Carr, fundador do projecto.

Actualmente, o número de visitantes não ultrapassa os cinco mil por ano. A realização do documentário levou mais de um ano de filmagens. Incidiu sobre o trabalho de restauração do parque e a forma como se cuida e preserva as espécies, muitas delas dizimadas durante a guerra civil.

Greg Carr, o filantropo norte-americano que está a liderar a recuperação do parque, pretende que em 10 anos, as receitas vindas do ecoturismo sejam suficientes para o parque se sustentar a si mesmo.

A reabilitação do Parque Nacional da Gorongosa, que já foi considerada a maior reserva natural de África, representa actualmente um dos maiores desafios de conservação da fauna e flora, em todo o mundo.


29 de abril de 2012

Carta à vida


Cruzei-me com este texto numa livraria do Chiado e deliciei-me com a simplicidade das palavras. É lindo e por isso quero partilhar.


"Leva-me contigo vida.
Vamos fugir deste mapa cinzento e só regressar quando as cores da nossa vida se
tocarem numa trincha larga e infinita que nos ligue eternamente.
Quero apaixonar-me por ti e que vivas em mim.
Quero ser a infinidade contigo e caminhar com a simplicidade de uma mão dada.
No caminho que ambos pintarmos seremos artistas das quatro estações, nos quatro
cantos do mundo.
Leva-me contigo para um lugar qualquer, longe ou perto, onde exista um espelho mágico
tão grande, que não tenha alternativa senão olhar-me nele, autodescobrir-me para além daquilo que os olhos se apercebem e finalmente encontrar-me comigo e com o amor.
Pode ser aqui, ali ou acolá.
Para Norte, Sul, Este ou Oeste.
Para o calor do deserto ou para o gelo do Ártico, para uma praia encantada de água
azul cristalina ou para o interior de um castelo no cimo de uma montanha.
Leva-me para esse sítio encantado, onde me possa libertar dos condicionamentos do
tempo e das suas ilusões e aprenda a desligar a mente e a viver no único momento que é real, o presente.
Convida-me a olhar em volta sem interpretar nem julgar.
A ver as luzes, as formas, as cores, as texturas e a sentir a presença silenciosa de
cada objecto.
Não quero continuar a olhar sem ver, a ouvir sem escutar.
Por isso leva-me nos teus sentidos e distrai os meus para que não saiba para onde
vou, não veja o destino na sala de embarque, não ouça o ruído da partida, nem me aperceba se me levas pelo ar, pelo mar, pela terra, ou, simplesmente, por magia.
Surpreende-me.
Acredito em ti como nunca acreditei e reconheço em mim uma máscara enferrujada que
preciso deitar fora e um muro intransponível que preciso derrubar.
Ainda não sei o que é essa liberdade mas conto contigo para me levares lá.
Não me digas que não podemos ir e emite-me esse bilhete.
Peço-te.
Sei que esperaste por mim todos estes anos, mas só agora estou pronto para derrotar
os meus medos e entregar-me a ti.
Quero despojar-me do meu passado e renascer.
Leva-me vida e eu levo comigo apenas o necessário para os primeiros passos, pois sei
que me providenciarás de tudo o que necessito.
Ouvirei o rufar triunfante da minha respiração e o palpitar do meu instinto.
Verei a sedução condutora da Natureza e através do seu manto de luz guiar-me-ei pelas
estrelas, ventos e marés, até dar de caras comigo num lugar qualquer onde o tempo não existe e as pessoas possam sorrir, simplesmente, por saberem que possuem o bem mais valioso de todos... TU.
E eu quero sentir esse sabor.
Leva-me contigo pois só assim poderei renascer dentro do meu próprio coração e ter
alma de pássaro."

(G.S)

28 de abril de 2012

Hope


Tudo na Guiné-Bissau parece estar mais calmo.
Hoje a esperança volta a surgir e a fé de que o futuro vai ser diferente, vai ser melhor.

22 de abril de 2012

Na cozinha com a Djenabo


Hoje acordei com saudades das cores, dos cheiros e dos sabores da Guiné-Bissau.
E como é das coisas mais simples que tiro os maiores prazeres e das quais nunca me esqueço, acreditem que dava tudo para ter no meu pequeno-almoço o pão do orfanato e o leite em pó que todos os dias tomava no comedor (casa que vêm na fotografia) ao som dos imensos e exóticos barulhos dos pássaros e de outros animais.
Todos os dias por volta das 7h da manhã, para fugir do calor intenso, era aqui que começava o meu dia e que ia buscar energias para enfrentar tudo o que viria pela frente.
Ao mesmo tempo e no refeitório ao lado, chegavam as primeiras crianças que alegremente agradeciam e abençoavam a cantar a sua primeira refeição do dia.
Para mim que adoro madrugar este foi sempre o ritual que mais prazer me deu.
A esta hora as vozes dos mais pequeninos eram música para os meus ouvidos.
Mas do que eu gostava mesmo, e não é conversa de quem está longe e nostálgica, era do arroz com feijão que a Djenabo (na foto) cozinhava todos os dias sem excepção.
Para além da simpatia, generosidade e do sorriso constante, a Djenabo tinha o dom de cozinhar coisas simples mas saborosas e que ao contrário do que era de esperar, me fizeram voltar da Guiné com alguns quilos a mais.
A juntar a tudo isto, e como o filho da Djenabo tinha um negócio de frutas, por vezes era presenteada com as mais doces e maravilhosas mangas que alguma vez imaginei que pudesse vir a experimentar.