7 de fevereiro de 2014

Bissau=calor+saudades+amor













5 anos depois, aterro finalmente em Bissau!!
A viagem foi longa, com passagem por Dakar, mas a vontade era tanta que as dezenas de horas passadas num sofá da sala do aeroporto africano, a que chamaram de lounge, pouco custaram a passar. 
Desta vez cheguei de dia e num avião mais pequeno e por isso pude usufruir de uma vista maravilhosa ao sobrevoar bem baixinho o país que tantas saudades me deixara.
Chegada à Guiné, senti de imediato o cheiro da terra vermelha e o calor que teima em colar-se ao nosso corpo.
Minutos depois os gigantes portões de ferro vermelhos abriam-se à minha frente e tive a certeza de que era aqui que queria estar.
O Orfanato Casa Emanuel, tinha sido a minha morada por uns meses e mais uma vez me senti em casa.
Os momentos seguintes foram para "matar" saudades de todas as crianças que agora estão bem mais crescidas, de abraçar amigos, de trocar afectos e de rever muitos sorrisos.
A Casa Emanuel tem neste momento mais umas dezenas de bebés e crianças, para além das mais de 100 que eu já conhecia.
Graças à ajuda de vários países, pessoas e entidades, um outro orfanato foi construído para poder albergar todos os rapazes mais velhos que já mal tinham espaço para crescer.
No orfanato principal vivem agora os bebés, as crianças mais pequeninas e todas as raparigas até aos 18 anos.
Dois espaços maravilhosos, que apesar das dificuldades, carências e privações, e de não serem propriamente lugares onde as crianças devam estar, são um oásis no meio de um país tão pobre e instável.

23 de janeiro de 2014

Até já Bissau!


Amanhã a esta hora já estarei no Senegal para no dia seguinte apanhar um voo para a Guiné-Bissau.
Finalmente vou reencontrar-me com os meus meninos!
Esta minha grande aventura, começou no dia 25 de Abril de 2009, quando decidi ir fazer voluntariado para o Orfanato Casa Emanuel em Bissau.
Esse dia mudou completamente a minha vida, para melhor, e desde aí todos os bebés, crianças, missionários e voluntários passaram a fazer parte dos meus dias, pensamentos e sonhos.
Durante estes anos fui mantendo o contacto com eles, fiz campanhas para angariar donativos, criei o blogue Sorrisos Sem Cor onde espalhei a causa e a mensagem e abracei o projecto de apadrinhamento à distância, Padrinhos Sem Fronteiras.
Como responsável deste projecto a minha principal função é a de esclarecer as pessoas para a importância de apadrinharem uma criança órfã e contagiá-las de forma a que sintam que o querem fazer. 
Uma tarefa fácil pois faço-a de coração.
No entanto, apesar da minha possível dedicação, senti sempre que faltava realizar o sonho e a promessa de lá voltar.
Daqui a umas horas vou entrar pelos grandes portões vermelhos do orfanato e entrar no pequeno mundo dos sorrisos e abraços mais doces que alguma vez senti.
Prometo partilhar aqui fotografias e notícias da Casa Emanuel.
E já sabem, para apadrinharem uma destas crianças escrevam para apadrinhamentos@coracaosemfronteiras.org

21 de janeiro de 2014

Made with love


A poucos dias de embarcar em mais uma viagem "emocional" como lhe chamo, e com a possibilidade de levar apenas 20kg de bagagem, decidi desta vez levar uns miminhos feitos em casa.
Tenho a preocupação de alertar as "nossas" crianças e em particular as minhas sobrinhas para a realidade das crianças de outras partes do Mundo, menos desenvolvidas e com grandes carências.
Mas como ainda é cedo para as levar comigo para conhecerem este orfanato onde fiz voluntariado, quis envolvê-las de alguma forma nesta missão. 
A ideia era fazermos algo artesanal e em que elas tivessem que despender tempo, paciência, dedicação e amor. 
Missão cumprida, o entusiasmo foi muito, elas adoraram e já tenho na minha mala prendas para mais de 70 meninas.
Ficou prometido mostrar a reacção quando lá chegar e por isso na próxima semana prometo partilhar todas as emoções em fotografias.


1 de janeiro de 2014

Uma "hipótese" de paraíso - A vida triste de uma terra chamada Guiné...


"A Guiné-Bissau vista do céu parece uma hipótese de paraíso. Os campos de arroz são verdes e cintilam no seu fulgor aquático. Na aproximação a Bissau, o mar é omnipresente e leva a sua imensidão a toda a terra. Mesmo no solo, olhando as pessoas, desde logo a sua diversidade – de faces, de estaturas, de línguas, de modos de ser – parece transmitir uma extraordinária harmonia, pelo menos na superfície, o que, não sendo toda a existência, já é uma verdade. Mas, assente a poeira, o drama da pobreza quase endémica, da impunidade face ao crime, da vulnerabilidade ou da inexistência das instituições, da corrupção, impede qualquer deslumbramento continuado.

Na última década, acentuando as dificuldades estruturais do país, os muitos conflitos militares e a subjugação ao narcotráfico tornaram a Guiné-Bissau num case study internacional pelas piores razões. Exemplo de "Estado falhado", de "Estado frágil", de ausência de Estado. Exemplo também da incapacidade e da ineficácia das organizações internacionais mais poderosas, como as Nações Unidas e a União Europeia, cujas inúmeras operações nos últimos anos alimentaram um verdadeiro exército, rotinado e descrente, de funcionários e de consultores.

O recente episódio dos refugiados sírios chegados a Lisboa provindos de Bissau, num acto quase de pirataria aérea sobre um avião da TAP, é apenas uma pequena nota de rodapé.

Muito antes desse episódio, há por exemplo a história dos proprietários de um hotel numa das ilhas guineenses que um dia vêem chegar um pequeno avião e dele desembarcar um grupo de homens que, a troco de uma mala com dinheiro, os força a abandonar a sua casa, o seu negócio e as suas vidas, abandonando a ilha imediatamente no mesmo avião em que os outros tinham chegado – porque afinal aquela ilhota era um local conveniente para o tráfico da cocaína sul-americana a caminho da Europa.

Ou a história dos colombianos milagrosamente detidos no aeroporto de Bissau com um carregamento de 900 (!) quilogramas de droga e que poucas horas depois estavam em liberdade e em paradeiro desconhecido.

Ou a historia da juíza que se surpreende ao ver o criminoso que acabara de condenar a uma forte pena de prisão por um crime grave cruzar-se com ela na rua e dirigir-se-lhe em tom ameaçador. Não deveria contudo surpreender-se: durante muitos anos (ainda hoje?), a Guiné foi provavelmente o único país do mundo a não dispor de uma prisão. A única existente havia sido destruída no último conflito militar na cidade de Bissau e nunca reconstruída... Duas celas na sede da polícia – de uma polícia de investigação criminal sem armas suficientes, sem computadores, sem algemas, sem veículos – serviam então de instalações prisionais, impossíveis de descrever no papel.

Triste ironia: a terra de onde chegam os refugiados sírios é a mesma terra onde muitos guineenses são afinal refugiados no seu próprio país e fora dele."

Miguel Romão
Professor da Faculdade de Direito
da Universidade de Lisboa

31 de dezembro de 2013

I wish...


Há muito que faço planos, pelo menos na minha cabeça, para voltar à Guiné-Bissau.
Um dos motivos para ter vindo a adiar a minha viagem foi por esta ser demasiado dispendiosa.
No final deste ano, e a convite de uma colega/amiga, tive uma proposta irrecusável.
Finalmente vi uma oportunidade para voltar a África, à casa que tão bem me acolheu por alguns meses em 2009, para abraçar todos os meus amigos.
A Célia foi durante algum tempo minha chefe e por ser assistente de bordo, efectiva na companhia aérea onde trabalha, pode usar de facilidades para comprar bilhetes de avião. E pode também levar-me como travel partner.
Maravilha!
Em Outubro, começamos então a planear a nossa ida no voo Lisboa/Bissau.
Vistos, consultas do viajante, vacinas, etc.
Mas em Dezembro a companhia aérea na qual pretendíamos viajar, a única que tem voos directos da Europa para Bissau, cancela todos os voos e deixa de fazer esta rota.
A solução: voarmos até Dakar no Senegal, e aí, arranjarmos uma forma de ir até Bissau.
Mais despesas, mais um visto, mais riscos.
Mas a vontade continua a mesma e talvez a motivação ainda maior pois teremos mais obstáculos para ultrapassar.
Para iniciar bem o ano de 2014, desejo poder concretizar esta viagem, ultrapassar todos estes obstáculos e no final do mês de Janeiro estar a entrar pelos portões grandes e vermelhos da Casa Emanuel, que tão bem conheço e que no meu coração nunca cheguei a fechar.
Bom Ano!!!

15 de novembro de 2013

Smiles Up!



Hoje acordei com uma dor de dentes daquelas bem valentes, que me impediu de sorrir o dia inteiro.
Fez-me lembrar que sorrir é tão bom quanto importante.
Que um pouco de amor no coração e um sorriso nos lábios podem transformar uma vida.
Que um sorriso vale muito mais do que qualquer palavra.
Ver estas crianças da Casa Emanuel sorrir faz-me acreditar num futuro melhor. Para elas, para mim, para toda a Humanidade...
E é por isso que mais uma vez vos falo do projecto Padrinhos Sem Fronteiras.
Com apenas 20€, 40€ ou 60€ mensais podem apadrinhar uma das muitas crianças órfãs da Casa Emanuel.
Este dinheiro será usado para a sua alimentação, cuidados de saúde ou para as despesas escolares.
É muito fácil e não dói nada!
Basta enviarem um mail para:
apadrinhamentos@coracaosemfronteiras.org 
Aqui podem tirar todas as dúvidas e pedir mais informações.

P.S. - Não é por acaso que os sorrisos destes meninos e meninas são tão lindos... A Directora do Orfanato, a Isabel Johanning, para além de ser uma verdadeira "Mãe" para todos eles, é também médica dentista e trata muito bem destes dentinhos.

6 de outubro de 2013

Um caso de AMOR!


Para mim, ter conhecido o Orfanato Casa Emanuel, na Guiné-Bissau, foi um caso de amor à primeira vista.
Desde os primeiros minutos, apaixonei-me por todas aquelas crianças, meninos e meninas de sorriso fácil, por todos os bebés tão carentes de colo e por todos os adultos, missionários e voluntários que lá trabalham e que dedicam as suas vidas a uma causa tão nobre.
Durante os últimos anos fui sonhando com o dia em que voltaria a pisar aquela terra vermelha e abraçar todos eles mas os dias foram passando e não tive oportunidade de o fazer.
Mas agora é diferente, pois já estou mais perto de concretizar este sonho.
Se Deus quiser, em Janeiro vou voltar.
Por menos tempo, mas o suficiente para poder fazer alguma diferença na vida dos "meus" meninos.
Mas para isso vou precisar da vossa ajuda...
Quando tiver novidades voltarei aqui para vos dizer exactamente como me poderão ajudar.
Obrigada e até já!!

8 de agosto de 2013

Parabéns princesa*





Hoje faz anos uma menina muito especial!
A Milagre!
Foi uma das minhas primeiras "amigas" da Casa Emanuel.
A princesa Milagre marcou-me muito na minha passagem pelo orfanato.
Uma menina doce, alegre e muito sorridente.
Parabéns minha querida!

16 de julho de 2013

Festa no orfanato





São muitas as crianças que vivem no Orfanato Casa Emanuel.
Quase todos os meses, há pelo menos um aniversariante, e por esse motivo uma festa para comemorar o dia que é tão especial para estas crianças.
E na Casa Emanuel ninguém se esquece disso!
Todos tentam, com os meios e as condições que têm, tornar este dia inesquecível.
Nunca falta o bolo, as velas, alguns doces, muita música e acima de tudo muita alegria!
Por vezes quando os padrinhos enviavam algum dinheiro para os afilhados que faziam anos, ainda os levávamos à cidade para comerem um gelado.
Saudades desses momentos e de sentir o quanto eram importantes para as crianças.