28 de novembro de 2014

Ser voluntário = amar sem fronteiras


"Ser voluntário é regar todos os dias pequenos seres para que consigam ter a capacidadde de semear brincadeiras e florir sorrisos.
Ser voluntário é ser uma torrada quente que salta todos os dias numa linda manhã para alimentar quem mais necessita. 
É fantasiar com um mundo feliz e alegre para evitar medos e receios e assim criar a felicidade.
É mostrar que voar, pular, brincar e ajudar é importante.
É partilhar um coração com muitos outros mais pequeninos.
É despertar o bom que há em nós e nos outros, é ajudar e ser ajudado, é estar presente, dedicar e aprender.
Ser voluntário é ser responsável, interessado e corajoso, é ter sentimentos e partilhá-los.
É demonstrar que se pode ter valor e ser um diamante no bolso dos outros, é ser bondoso sem esperar receber nada em troca, é sentir-se útil.
Ser voluntário é ter alguém com quem falar e ajudar, é uma maneira de relativizar os próprios problemas e dar atenção a outros mais graves.
É tentar dar o dia de hoje e o amanhã.
É mostrar que quem espera sempre alcança, é nunca perder a esperança de sonhar com um final feliz."

10 de outubro de 2014

De volta a "casa"...



São muitas as crianças que depois de abandonadas pelas famílias, muitos anos depois, são obrigadas a regressar a casa. Um local onde já não pertencem, que nada lhes diz e que um dia, quase à nascença, lhes foi negado.
Na Guiné-Bissau existe uma enorme taxa de abandono de bebés.
As mães, ainda crianças quando dão à luz, acabam por morrer nos partos e as famílias acreditam que os recém nascidos carregam consigo a maldição de um Irã (espírito mau).
Muitas delas são deixadas no mato ou na praia, literalmente a morrer. Muitas outras são entregues no orfanato Casa Emanuel. Um "oásis" no meio de tanta desumanidade. Um cantinho muito especial onde vivi quase 3 meses e que ao longo dos últimos 6 anos tenho partilhado aqui no meu blogue.
Pois esses meninos e meninas aqui vão crescendo, estudando e aprendendo a ser uma família, diferente sim, mas onde não falta amor. 
A missão deste orfanato é proporcionar-lhes uma vida digna, amor, acesso à educação, uma alimentação saudável, cuidados médicos e quem sabe um futuro diferente no seio de uma família, através da adopção.
Enquanto isso não acontece o papel dos padrinhos à distância vai sendo crucial e essencial. As crianças sentem-se assim acarinhadas e o orfanato recebe a ajuda financeira de que tanto necessita.
O problema surge mais tarde... quando os pais ou outros familiares resolvem aparecer e retirar abruptamente as crianças do orfanato e levá-las consigo para uma casa que nunca lhes pertenceu.
Tenho em mim a convicção de que o interesse destes é pô-las a trabalhar para eles e não, devolver-lhes a dignidade e o amor.
Isto acontece pois o orfanato legalmente não tem o poder total sobre as suas vidas e por isso não consegue impedir que tal aconteça.
Hoje foi um dia triste. 
Soube que o meu querido amigo Fundam, um menino super meigo, sorridente, com uma veia artística fora do comum, foi levado para a aldeia dele. Foi retirado da família que o acolheu de pequenino, quando os seus não o queriam.

28 de julho de 2014

Apadrinhar, porque sim?!





A equipa da ONGD Coração Sem Fronteiras trabalha incansavelmente para que estas crianças possam ter uma vida muito mais colorida e um futuro mais risonho e recheado de amor e de esperança.
Connosco, pode ajudar a melhorar as condições de vida das crianças da Guiné-Bissau, apadrinhando em duas modalidades:
- Com 20€ (mensais) o apadrinhamento à distância de uma das crianças órfãs da Associação Casa Emanuel;
- Com 40€ (por parto) o apadrinhamento do nascimento de uma criança na maternidade do Hospital Comunitário Emanuel.
O apadrinhamento à distância e o apadrinhamento de um nascimento são formas de possibilitar o acesso destas meninas e meninos à escola, a uma alimentação mais cuidada e aos cuidados básicos de saúde.
Mas apadrinhar é também criar laços e transmitir afectos mesmo que à distância de uma carta ou fotografia.
Por isso, quem ainda não sentiu a experiência de ser um Padrinho Sem Fronteiras apelamos para que arrisque nesta fantástica e gratificante "aventura".
A todos os que o fizeram agradecemos do fundo do coração e desafiamos que nos escrevam a contar a vossa experiência para que possa servir de inspiração a todos nós.

Obrigada,
Equipa do "Coração Sem Fronteiras"
apadrinhamentos@coracaosemfronteiras.org

18 de junho de 2014

"O Nosso Mundo É Humano" - HELPO




Coração Sem Fronteiras - ONGD e a HELPO ONGD juntaram-se numa parceria para ajudar as crianças da Guiné-Bissau. 
Quem quiser doar roupas para recém-nascidos e medicamentos pode fazê-lo até dia 23 de Junho, na loja da Helpo do PORTO, que fica na Estação de S.Bento!!!

14 de maio de 2014

Happy beginning


Adoro esta fotografia e tudo o que ela representa. 
São três das meninas do orfanato da Guiné-Bissau e as três foram adoptadas. 
Uma está em Portugal e as outras duas no Brasil.
Todas têm agora famílias maravilhosas e viram as suas vidas mudar radicalmente. 
Tive o privilégio de conviver com estas famílias e de assistir à transformação e ao efeito imediato que o amor teve na vida das três. 
A Ana, a Hadassa e a Talita já têm milhares de razões para sorrir.

17 de abril de 2014

Tudo por um sorriso



Se há algo que me deixa profundamente feliz e com a certeza de que vale a pena continuar em frente e lutar por um Mundo melhor é ver os sorrisos das crianças da Guiné-Bissau.
São sorrisos inocentes, cheios de esperança, fé e amor.
Para estes meninos e meninas que quase nada têm, sorrir é uma constante da vida.
Uma vida dura e já com algumas feridas para sarar mas que ao mesmo tempo é simples e pautada pela alegria e inocência próprias da idade...
O que eles não sabem é que muitos de nós, mesmo à distância, os amamos e tentamos fazer com que o seu futuro seja também risonho.
O seu país vem travando uma luta constante contra a pobreza, o desemprego, as doenças e a falta de condições mínimas de sobrevivência.
E alguns de nós aqui, neste cantinho do globo, vamos tentando fazer de tudo para ver um dos seus preciosos sorrisos! 

"O sorriso que deres voltará a ti"

30 de março de 2014

Água que mata...





"Na Guiné-Bissau, as crianças morrem por beber água contaminada com fezes. Num país em que quatro em cada cinco pessoas não têm acesso a redes de distribuição de água, proliferam as doenças hídricas, a maioria mortais. A malária é a principal causa de morte, sobretudo em crianças - as mais vulneráveis -, mas há também doenças gastrointestinais (diarreias) e doenças do foro respiratório, resultantes da falta de higiene. E 90% dos casos de diarreia acontecem em crianças até aos 15 anos, sobretudo em Junho, no início da época das chuvas. As raparigas são mais afectadas do que os rapazes - e uma em cinco crianças morre da doença.

“Esta realidade não tem sido percebida quer pelas ONG que operam no país, quer pela UNICEF, quer pela Organização Mundial de Saúde, que continuam a 'tapar buracos', em vez de ir ao fundo da questão”, denuncia Adriano Bordalo e Sá, que investigou durante sete anos as condições de acesso a água das populações na Guiné-Bissau. O professor de Hidrobiologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto acusa as organizações internacionais de promoverem sobretudo “ajuda de emergência” e não resolverem os problemas em si.

Na sua investigação, desenvolvida no país entre 2006 e 2013 em mais de 300 poços, Adriano Bordalo e Sá percebeu que um dos principais problemas a resolver é a elevada contaminação dos poços, onde as pessoas, sobretudo mulheres e crianças, vão buscar água - e que considera serem “presentes envenenados” das organizações internacionais.
“Oficialmente, 72% da população da Guiné tem acesso a água melhorada, mas isso refere-se apenas à infra-estrutura. Ou seja, considera-se melhorada quando o tambor metálico que envolve o poço é substituído por um murete em tijolo e tem à volta uma plataforma em cimento. Mas, incrivelmente, não são feitas quaisquer análises à água”, explica o investigador.

Água ácida
Por outro lado, a água tem níveis de acidez bastante elevados. “Na Guiné, a terra vermelha está impregnada de sulfureto de ferro que, em contacto com a chuva, se transforma em ácido sulfúrico e isso torna a água extremamente ácida”, adianta. Mas não só. Há ainda os níveis de contaminação fecal: 80% destes poços estão contaminados.
A contaminação começa com a retirada da água dos poços com baldes, puxados por cordas. Baldes que estiveram no chão, em contacto com as fezes que proliferam junto aos poços cavados à mão. “Como a água está a uma temperatura de 30 graus, as bactérias desenvolvem-se e multiplicam-se”, diz Bordalo Sá.
Também é comum haver latrinas e terrenos com animais junto a estas infra-estruturas: “Quando chove, estes contaminantes infiltram-se na terra até aos 20 metros de profundidade”. Precisamente a profundidade que têm os poços. E há ainda o transporte lateral de contaminantes, uma vez que os aquíferos estão todos ligados.
As crianças até aos 15 anos são as mais afectadas pelas doenças relacionadas com a falta de água potável - elas, além das mulheres, têm a responsabilidade de ir buscar água para a família.

Furos de profundidade
A solução seria abrir, em vez de poços, furos pelo país. “Os furos são bastante mais profundos. Atingem os 600 metros e, por isso, chegam aos aquíferos de profundidade”, que não estão contaminados e cuja água é alcalina. Estão protegidos por argila e, por terem uma placa sedimentar com dezenas de metros, composta por cascas de bivalves, contêm carbonato de cálcio que protege os dentes. Mas “estes furos, equipados com bombas solares, são mais caros do que os poços. As organizações não investem neles”, nota o hidrobiólogo.
Quando a água não vem contaminada do poço, acaba por ficar em casa. Num país em que uma família soma em média 13 elementos, cada pessoa consome 21 litros de água por dia (em Portugal, por exemplo, essa média ronda os 120 litros e, em África, os 50 litros).
Em casa, o líquido azul é mantido em potes de barro para arrefecer. Mas cada elemento da família mergulha a caneca em inox nesse pote, contaminando a água. O arroz, base da alimentação no país, é cozinhado com essa água, resultando muitas vezes em doenças como a cólera. Até porque o arroz é comido à mão por todos. E, nota Adriano Sá, a população considera “a cólera obra do diabo e não a relaciona com o consumo de água contaminada”.
Outra das questões levantadas pelo estudo do professor de Hidrobiologia é a relação entre o período das chuvas, sobretudo Agosto, e o pico de doenças como a malária, uma vez que o mosquito da doença eclode na água.
Para piorar a situação, a maioria dos hospitais distritais, mesmo aqueles que realizam partos e pequenas cirurgias, não têm água canalizada. A Guiné-Bissau é um dos países com as mais elevadas taxas de mortalidade de grávidas e parturientes do mundo. No que diz respeito à mortalidade infantil, o cenário é aterrador: a taxa de mortalidade infantil na Guiné-Bissau é de 120 a 243 por cada mil (consoante os critérios). Noutro PALOP, Moçambique, a mesma taxa é de 77 por cada mil. Em Portugal é 3 por mil.

Falta de acesso ao sistema de saúde
O sistema de saúde, num país em que apenas 1% do PIB é investido nesse sector, não é favorável. Até recentemente existiam apenas cem médicos em todo o país, concentrados sobretudo em Bissau. Há cerca de dois anos, saíram, para o interior, mais 88, formados por médicos de Cuba, mas os meios continuam a ser escassos e não há ambulâncias.
E na Guiné, onde a maioria da população ganha cerca de 80 cêntimos por mês, há o princípio de que a saúde deve ser paga, até mesmo pelas crianças. “Em 1987, na sequência da guerra civil que destruiu quase todas as infra-estruturas do país, a UNICEF convenceu a OMS e o FMI a ajudar o país e criaram essa regra, que acabou por afastar a maioria das pessoas do sistema de saúde”, lamenta Bordalo Sá"

Fonte : Jornal O SOL

23 de março de 2014

Pequenos sobreviventes


Sempre que olho para esta fotografia que tirei ao meu doce e querido amigo Paulo, lembro-me do quanto as crianças guineenses são frágeis e heróicas...
As crianças da Guiné-Bissau continuam a ser as principais vítimas do abandono, da subnutrição, da escassez de água potável, da falta de cuidados básicos de higiene e de doenças mortais como a malária e o VIH/SIDA.

Segundo um relatório da Unicef:

"Guinea-Bissau is hardly recovering from the armed conflict in 1998-1999, which has resulted in political instability, insecurity and stagnation or slowing down of the economy affecting the already weak governmental structures and private sector. The social sectors, particularly health and education, have been severely affected and the continuing political instability and structural weaknesses pose a major challenge in the delivery of quality and adequate health services. Results from the latest Multiple Indicator Cluster Survey indicate an increase of the child mortality rates, and maternal mortality is also high with 1,100 maternal deaths per 100,000 live births. Only 38 per cent of the population has access to drinkable water; and a mere 30 per cent of the population has knowledge of minimum hygiene practices. Malaria, acute respiratory infections, diarrhoea and malnutrition remain the major killers of children."

São os pequenos sobreviventes como o Paulo que me fazem ter cada vez mais a certeza de que todas as ajudas que lhes possamos dar são uma dádiva e que podem fazer toda a diferença na vida destas e de muitas outras crianças.