30 de março de 2014

Água que mata...





"Na Guiné-Bissau, as crianças morrem por beber água contaminada com fezes. Num país em que quatro em cada cinco pessoas não têm acesso a redes de distribuição de água, proliferam as doenças hídricas, a maioria mortais. A malária é a principal causa de morte, sobretudo em crianças - as mais vulneráveis -, mas há também doenças gastrointestinais (diarreias) e doenças do foro respiratório, resultantes da falta de higiene. E 90% dos casos de diarreia acontecem em crianças até aos 15 anos, sobretudo em Junho, no início da época das chuvas. As raparigas são mais afectadas do que os rapazes - e uma em cinco crianças morre da doença.

“Esta realidade não tem sido percebida quer pelas ONG que operam no país, quer pela UNICEF, quer pela Organização Mundial de Saúde, que continuam a 'tapar buracos', em vez de ir ao fundo da questão”, denuncia Adriano Bordalo e Sá, que investigou durante sete anos as condições de acesso a água das populações na Guiné-Bissau. O professor de Hidrobiologia no Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto acusa as organizações internacionais de promoverem sobretudo “ajuda de emergência” e não resolverem os problemas em si.

Na sua investigação, desenvolvida no país entre 2006 e 2013 em mais de 300 poços, Adriano Bordalo e Sá percebeu que um dos principais problemas a resolver é a elevada contaminação dos poços, onde as pessoas, sobretudo mulheres e crianças, vão buscar água - e que considera serem “presentes envenenados” das organizações internacionais.
“Oficialmente, 72% da população da Guiné tem acesso a água melhorada, mas isso refere-se apenas à infra-estrutura. Ou seja, considera-se melhorada quando o tambor metálico que envolve o poço é substituído por um murete em tijolo e tem à volta uma plataforma em cimento. Mas, incrivelmente, não são feitas quaisquer análises à água”, explica o investigador.

Água ácida
Por outro lado, a água tem níveis de acidez bastante elevados. “Na Guiné, a terra vermelha está impregnada de sulfureto de ferro que, em contacto com a chuva, se transforma em ácido sulfúrico e isso torna a água extremamente ácida”, adianta. Mas não só. Há ainda os níveis de contaminação fecal: 80% destes poços estão contaminados.
A contaminação começa com a retirada da água dos poços com baldes, puxados por cordas. Baldes que estiveram no chão, em contacto com as fezes que proliferam junto aos poços cavados à mão. “Como a água está a uma temperatura de 30 graus, as bactérias desenvolvem-se e multiplicam-se”, diz Bordalo Sá.
Também é comum haver latrinas e terrenos com animais junto a estas infra-estruturas: “Quando chove, estes contaminantes infiltram-se na terra até aos 20 metros de profundidade”. Precisamente a profundidade que têm os poços. E há ainda o transporte lateral de contaminantes, uma vez que os aquíferos estão todos ligados.
As crianças até aos 15 anos são as mais afectadas pelas doenças relacionadas com a falta de água potável - elas, além das mulheres, têm a responsabilidade de ir buscar água para a família.

Furos de profundidade
A solução seria abrir, em vez de poços, furos pelo país. “Os furos são bastante mais profundos. Atingem os 600 metros e, por isso, chegam aos aquíferos de profundidade”, que não estão contaminados e cuja água é alcalina. Estão protegidos por argila e, por terem uma placa sedimentar com dezenas de metros, composta por cascas de bivalves, contêm carbonato de cálcio que protege os dentes. Mas “estes furos, equipados com bombas solares, são mais caros do que os poços. As organizações não investem neles”, nota o hidrobiólogo.
Quando a água não vem contaminada do poço, acaba por ficar em casa. Num país em que uma família soma em média 13 elementos, cada pessoa consome 21 litros de água por dia (em Portugal, por exemplo, essa média ronda os 120 litros e, em África, os 50 litros).
Em casa, o líquido azul é mantido em potes de barro para arrefecer. Mas cada elemento da família mergulha a caneca em inox nesse pote, contaminando a água. O arroz, base da alimentação no país, é cozinhado com essa água, resultando muitas vezes em doenças como a cólera. Até porque o arroz é comido à mão por todos. E, nota Adriano Sá, a população considera “a cólera obra do diabo e não a relaciona com o consumo de água contaminada”.
Outra das questões levantadas pelo estudo do professor de Hidrobiologia é a relação entre o período das chuvas, sobretudo Agosto, e o pico de doenças como a malária, uma vez que o mosquito da doença eclode na água.
Para piorar a situação, a maioria dos hospitais distritais, mesmo aqueles que realizam partos e pequenas cirurgias, não têm água canalizada. A Guiné-Bissau é um dos países com as mais elevadas taxas de mortalidade de grávidas e parturientes do mundo. No que diz respeito à mortalidade infantil, o cenário é aterrador: a taxa de mortalidade infantil na Guiné-Bissau é de 120 a 243 por cada mil (consoante os critérios). Noutro PALOP, Moçambique, a mesma taxa é de 77 por cada mil. Em Portugal é 3 por mil.

Falta de acesso ao sistema de saúde
O sistema de saúde, num país em que apenas 1% do PIB é investido nesse sector, não é favorável. Até recentemente existiam apenas cem médicos em todo o país, concentrados sobretudo em Bissau. Há cerca de dois anos, saíram, para o interior, mais 88, formados por médicos de Cuba, mas os meios continuam a ser escassos e não há ambulâncias.
E na Guiné, onde a maioria da população ganha cerca de 80 cêntimos por mês, há o princípio de que a saúde deve ser paga, até mesmo pelas crianças. “Em 1987, na sequência da guerra civil que destruiu quase todas as infra-estruturas do país, a UNICEF convenceu a OMS e o FMI a ajudar o país e criaram essa regra, que acabou por afastar a maioria das pessoas do sistema de saúde”, lamenta Bordalo Sá"

Fonte : Jornal O SOL

23 de março de 2014

Pequenos sobreviventes


Sempre que olho para esta fotografia que tirei ao meu doce e querido amigo Paulo, lembro-me do quanto as crianças guineenses são frágeis e heróicas...
As crianças da Guiné-Bissau continuam a ser as principais vítimas do abandono, da subnutrição, da escassez de água potável, da falta de cuidados básicos de higiene e de doenças mortais como a malária e o VIH/SIDA.

Segundo um relatório da Unicef:

"Guinea-Bissau is hardly recovering from the armed conflict in 1998-1999, which has resulted in political instability, insecurity and stagnation or slowing down of the economy affecting the already weak governmental structures and private sector. The social sectors, particularly health and education, have been severely affected and the continuing political instability and structural weaknesses pose a major challenge in the delivery of quality and adequate health services. Results from the latest Multiple Indicator Cluster Survey indicate an increase of the child mortality rates, and maternal mortality is also high with 1,100 maternal deaths per 100,000 live births. Only 38 per cent of the population has access to drinkable water; and a mere 30 per cent of the population has knowledge of minimum hygiene practices. Malaria, acute respiratory infections, diarrhoea and malnutrition remain the major killers of children."

São os pequenos sobreviventes como o Paulo que me fazem ter cada vez mais a certeza de que todas as ajudas que lhes possamos dar são uma dádiva e que podem fazer toda a diferença na vida destas e de muitas outras crianças.

14 de março de 2014

A beleza triste da Aissatu









 



Todos os dias de manhã bem cedo, quando eu chegava à escola comunitária do orfanato, encontrava a Aissatu à porta da sala onde eu ia dar as aulas de Artes e de Português.
Uma mulher alta, magra, com corpo de gazela, olhos tristes e lábios carnudos.
Uma mulher de uma beleza imensa mas que trazia espelhado nos seus olhos e gravado no seu rosto o peso de uma vida dura, sem espaço para sonhar...
Apesar da barreira da língua, pois a Aissatu falava apenas o dialecto da sua tribo, senti sempre que comunicávamos através da nossa troca de olhares e dos seus escassos gestos.
Logo de manhã e depois de terminar de limpar a nossa sala e o pátio da escola, a Aissatu fazia questão de ficar encostada num cantinho, imóvel, silenciosa, absorvendo tudo o que se ia passando durante a primeira aula.
Nem imagina ela que apesar de não saber ler, escrever nem falar português, a língua oficial do seu país, apenas com a sua presença me ia inspirando, dando força e motivação para eu continuar a fazer o meu trabalho.
São muitas as vezes que penso na Aissatu e em como é dura a vida dela e de todas as outras mulheres da Guiné-Bissau.

9 de março de 2014

Apadrinhar é importante

Hoje concretizou-se o apadrinhamento de mais 2 crianças do orfanato Casa Emanuel.
Neste caso, as madrinhas comprometeram-se a fazê-lo durante 1 ano e com o valor mensal de 20€.
A Leandra e o Paulo, para além desta ligação afectiva, irão também ter ajuda financeira para que não lhes falte o essencial, como o acesso à escola, alimentação e aos cuidados de saúde.
Na verdade, o ideal seria que os padrinhos dessem continuidade a este processo até que as crianças completassem os 18 anos mas como responsável por este projecto tenho consciência de que nem sempre existe essa disponibilidade da parte deles e a garantia de que o possam continuar a fazer no futuro.
Por isso, a mensagem que quero deixar aqui hoje é que apadrinhar uma destas crianças é tão importante e pode fazer tanta diferença na vida delas que podem fazê-lo nem que seja apenas por um curto espaço de tempo.
Entretanto, a nossa equipa vai trabalhando para que mais pessoas as queiram apadrinhar e dar continuidade a esta cadeia.
Uma outra modalidade que o nosso projecto também possibilita é o apadrinhamento do nascimento de um bebé na maternidade do Centro Médico Emanuel.
Neste caso, e com apenas 40€, estará a pagar o parto, o internamento da mãe, as despesas inerentes ao parto e a contribuir para que este seja realizado com todas as condições sanitárias e médicas necessárias. 
Desta forma está a ajudar a combater a elevada taxa de mortalidade de mães e crianças na Guiné-Bissau, um país que "teima" em ter uma das taxas mais elevadas de mortalidade materno-infantil.
Para mais informações sobre os apadrinhamentos pode escrever para apadrinhamentos@coracaosemfronteiras.org

3 de março de 2014

Um parto difícil












Quando nos deslocamos para situações destas, em que o que vamos encontrar, longe do conforto das nossas "vidas", são situações complicadas, delicadas e em que temos que nos entregar de corpo e alma, com tudo aquilo que temos e não temos para dar, e estou a falar não só do conhecimento técnico mas também dos afectos, é natural criarmos laços fortes com outros voluntários e missionários que estão no mesmo "barco" que nós.
Foi o que aconteceu com a Carolina, uma miúda costa riquenha, a terminar o curso de medicina, muito simpática, sorridente, despachada, cheia de energia e com uma forma de estar com a qual me identifiquei logo no primeiro dia.
A Carolina, como não tem nenhuma especialidade, basicamente estava disponível 24h por dia para o que fosse preciso e que estivesse dentro das suas competências. Na verdade, em África, quando os meios são tão escassos, alguém a terminar o curso de medicina, pode ser muito útil e fazer 20 vezes mais do que num qualquer hospital de um país evoluído.
Para além disso, tal como eu, ela adora fotografia e como a bagagem com todas as suas coisas perdeu-se ou desapareceu no voo que fez para Bissau, costumávamos partilhar a minha máquina fotográfica.
E assim começa um dos momentos mais emocionantes desta minha viagem, quando a Carolina me disse para preparar a minha máquina e a "mim" porque a qualquer momento teríamos que ir a correr para o hospital pois ela ia ajudar numa cesariana, à partida complicada, e eu podia assistir e registar o momento.
Acho que não consigo expressar por palavras a emoção que estava a viver. São muitas as histórias que conheço e ouço falar na Guiné, de mulheres que morreram nos partos, de partos complicados, de bebés que não resistiram ao parto, de crianças que nascem com deficiências profundas, aliás todas estas situações estão muito presentes diariamente no orfanato pois constantemente são lá "deixados" bebés e crianças vítimas destas situações.
Mas continuando, lá fomos nós a correr para o hospital para o tal parto difícil...
Na realidade não se trata bem de um hospital mas de um Centro Médico que graças à ajuda de algumas entidades e ONG espanholas e portuguesas foi possível construir em tempo recorde e com alguns meios que infelizmente não existiam até à data na Guiné e que foi inaugurado em 2009 quando eu estava lá a viver. (Aqui podem ler o post sobre a inauguração do CM Emanuel).
A particularidade deste Centro Médico é que está equipado com uma maternidade, uma raridade na Guiné já que neste país as mulheres têm os filhos onde calha...
Quando lá chegamos já estava tudo a postos para a cirurgia, um médico anestesista cubano, um cirurgião guineense, um enfermeiro Argentino (a estudar para médico e também actual director do hospital) e uma parteira.
A mãe, ao contrário do que é costume na Guiné, já tinha 28 anos e este era ainda o seu primeiro filho.
Tinha feito muitas dezenas de quilómetros num toca-toca, transporte público local, pois vivia numa tabanca no meio do mato e não tinha outra forma de lá chegar. Estava calma, serena mas com um ar assustado.
A gravidez já estava muito avançada e segundo o que me foi dito o bebé tinha o cordão umbilical à volta do pescoço muito enrolado e por isso teria que ser feita uma cesariana de urgência. 
Tudo parecia correr bem até eu perceber uma correria súbita e um ambiente estranho, o bebé estava completamente azul, roxo eu nem sei bem explicar. O meu coração quase que parou. O tal momento super emocionante transformou-se de repente num vazio quando percebi que o bebé poderia estar morto.
Por momentos guardei a minha máquina fotográfica e tive uma enorme vontade de fazer alguma coisa para ajudar, qualquer coisa que evitasse a morte daquele bebé.
Seguiu-se um silêncio assustador, não havia choro, sinais de respiração, nada... 
Apenas o som violento das palmadas e das tentativas de reanimação.
Ufffa, nunca me soube tão bem ouvir um bebé a chorar, gemer e gritar!!!
Mãe e filho estão bem!
Afinal esta história teve um final feliz e por isso hoje consigo contá-la com um misto de felicidade e nó na garganta.
A imagem dele a chorar permanece até hoje na minha cabeça.
Adoro histórias de lutas e vitórias...

1 de março de 2014

Porquê a Guiné?...




"Existem no mundo milhões de pessoas que não têm acesso aos mais elementares cuidados de saúde, aos mais básicos padrões de alimentação, de educação, de higiene, de vida. Todos conhecemos esta dura realidade. Todos já ouvimos falar, já presenciámos, já vimos imagens ou até já ajudámos ou propusemo-nos ajudar. A verdade é que, infelizmente, essas situações continuam a existir!
A grande maioria destas pessoas vive em África. A gravidade da situação neste Continente é bem conhecida, mas é particularmente evidente na região subsariana e, em concreto, na Guiné-Bissau.

A Guiné-Bissau está neste momento no 173º lugar do Índice de Desenvolvimento Humano do PNUD de 2009 (num total de 182 países). Para além de ser muito pobre, a Guiné-Bissau é também um país jovem, onde a média de idades ronda os 25 anos. Isso deve-se ao facto de a esperança de vida no país ser extremamente baixa. Por isso, é fácil concluir que as principais vítimas deste défice de desenvolvimento acabam por ser os jovens e, em particular, as crianças.

Com uma natureza exuberante a Guiné-Bissau é um país tropical, com boas praias para actividades de lazer, locais para a prática de ecoturismo, diversidade cultural, biodiversidade, etc. O Arquipélago dos Bijagós, por exemplo, faz parte da Guiné-Bissau e é constituído por 88 ilhas situadas ao largo da costa africana e foi classificado pela UNESCO como reserva da Biosfera. Esta reserva conta com uma diversificada fauna na qual se contam, entre outras espécies os macacos, os hipopótamos, os crocodilos, as aves pernaltas, as tartarugas marinhas e as lontras. Actualmente, trabalha-se para que esta natureza extraordinária que são as ilhas Bijagós possa obter a classificação de Sítio de Património Natural e Cultural Mundial, sob a égide da UNESCO.

Contudo, existe no país em geral falta de planeamento, falta de segurança política, falta de saneamento básico, urbanização, energia, transportes e uma série de outros obstáculos ao desenvolvimento como o facto de o pais ser já um entreposto importante do tráfico internacional de droga. Diante de todos esses obstáculos, que devem ser enfrentados, é crucial que haja projectos de acção, de ajuda à mudança, porque pressupõe que cada pessoa com as suas experiências adquiridas e em união com outras cria algo mais forte podendo ajudar a construir um mundo mais justo e equilibrado contribuindo para a melhoria da qualidade de vida na Guiné-Bissau, um dos dez países mais pobres do Mundo.

Os últimos estudos indicam que mais de metade da sua população (64,7%) vive em situação de pobreza e 20% da população em situação de pobreza extrema. Doenças como o HIV/SIDA, o paludismo (malária) e a tuberculose continuam a progredir. O abastecimento de água potável, saneamento básico e acesso a um alojamento decente é ainda um luxo para a maioria da população da Guiné-Bissau. A extrema fragilidade da situação humana e a fraca cobertura do país em termos de serviços sociais de base, resulta numa esperança de vida à nascença de apenas 45 anos.
A mortalidade infantil é assustadora: uma em cada cinco crianças não atinge os cinco anos de vida. Estima-se existirem em 2010 seis mil órfãos do VIH/SIDA na Guiné-Bissau aos quais há que acrescentar aqueles cujas mães morrem no parto num país em que apenas cerca de 30% dos partos são assistidos.

A mortalidade materna (definida como a morte de uma mulher durante a gravidez ou até 42 dias após o fim da gestação) está entre os maiores problemas de saúde publica na Guiné-Bissau. De acordo com o Roteiro para a Redução da Mortalidade Materna e Neonatal, a taxa de mortalidade materna é de 818 para 100.000 nados vivos, o que coloca a Guiné-Bissau como um dos dez países do Mundo com maiores riscos de morte materna. Estima-se que o risco de morte da mulher na Guiné-Bissau durante o parto é de 1 em cada 19 mulheres, enquanto nos países desenvolvidos é de 1 em 8.000!
  Acresce que existe a convicção de que todos os números existentes sobre a mortalidade pecam por defeito, já que no interior do país existem situações que não são reportadas sendo, por isso, inexistentes do ponto de vista estatístico.  Este cenário é agravado pela ausência de respostas públicas que assegurem protecção aos órfãos cujas mães são vítimas do HIV/SIDA ou que morrem durante o parto, agravando-se ainda mais a situação destas crianças quando são portadoras de deficiências. Por razões económicas, culturais e sociais, muitas destas crianças órfãs não são assumidas pelas famílias. Daí que fiquem totalmente dependentes das iniciativas privadas existentes na Guiné-Bissau."

Texto: Slow Movement Portugal